Embora a corrente de comércio entre o Brasil e o Canadá tenha superado US$ 20 bilhões em 2010, os canadenses querem mais: participar deste momento único do País, no qual as deficiências em infraestrutura que fazem sombra ao pleno desenvolvimento econômico se transformam em interessantes oportunidades de investimento e de negócios para o capital externo.
Uma missão organizada pelo Consulado-Geral do Canadá e com apoio do Export Development of Canada, composta por 20 empresas, esteve nesta semana no Rio de Janeiro e em São Paulo para entender melhor a dimensão dos projetos de infraestrutura que estão no horizonte do País para os próximos nove anos.
A cônsul-geral do Canadá no Brasil, Abina Dann, disse ontem (30.06) em São Paulo que as empresas canadenses podem se beneficiar das similitudes entre os dois países e oferecer sua expertise ao mercado brasileiro. “Estamos no grupo dos pouquíssimos países que saíram em pé da crise econômica, fortalecidos pela liquidez e pela estabilidade financeira. O Brasil agora enfrenta o desafio de vencer suas deficiências em termos de infraestrutura, porque terá muito a perder se não solucionar essas questões. Temos nesta missão não somente empresas que representam a indústria e o setor de serviços do Canadá, mas também companhias especializadas em direito internacional, equipamentos, financiamentos, tecnologia da informação, elaboração de projetos em Parcerias Público-Privadas e uma ampla gama de especializações que podem ser úteis ao País”.
Na visão de Abina, a ideia é propagar o conceito de parceria estratégica entre os dois países. “Esta é uma missão comercial, não política”, frisou a cônsul.
O consultor Brian Nicholson, diretor da Sobratema (Associação Brasileira de Tecnologia para Equipamentos e Manutenção) apresentou um estudo sobre o mercado brasileiro que identifica 9.559 projetos e investimentos em infraestrutura e equipamentos até 2015 que envolvem 11 diferentes setores da economia. Segundo o consultor, em termos de valores há grande concentração regional: 53% dos projetos estão nas regiões Sul e Sudeste do Brasil e 25% no Nordeste. “Há, entretanto, oportunidades no restante do País que não podem ser desprezadas. Mesmo que o setor de petróleo e gás monopolize os investimentos previstos, absorvendo mais de 46% dos recursos, há potencialidade em setores como de transportes, energia e saneamento, entre vários outros”, afirmou.
Como era de se esperar, percebe-se entre os empresários interesse nos grandes eventos programados no País, mas as empresas do Canadá querem participar também do círculo virtuoso que se definirá em torno da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos, por exemplo. Com esses megaeventos, as cadeias produtivas de setores de serviços, hotelaria, construção e transportes serão dinamizadas, oferecendo grandes oportunidades comerciais. “Esses megaeventos acelerarão outros projetos. Ainda não se sabe, infelizmente, como isso acontecerá”, comentou Nicholson.
Parcerias Público-Privadas
Com experiência e recursos, as empresas canadenses apostam na modalidade PPP (Parceria Público-Privada) como estratégia para viabilizar os negócios. No tema PPP, o Canadá saiu na com uma dianteira de pelo menos dez anos em relação ao Brasil, segundo o advogado Federico Marques, do estúdio de advocacia Heenan Blaikie Global.
De acordo com ele, uma das diferenças entre o Brasil e o Canadá está na forma de estruturar as PPPs. “O governo canadense pensa em uma estrutura mais global, e não no formato caso a caso, como acontece aqui. Além disso, no Brasil privilegia-se o formato da concessão, de processo muito moroso”.
Para Marques, o País terá de aprimorar a definição de critérios de risco e externalidades, sejam positivas ou negativas. “A PPP é mais que uma alternativa; é uma necessidade, já que o governo não tem recursos para custear todos os projetos necessários. No Canadá há PPPs em 25 setores da economia nas esferas federal e provincial. A experiência canadense pode ser muito útil”, afirmou.
A familiaridade canadense em associar governo e iniciativa privada pode beneficiar vários dos projetos hoje em estudo. Apenas em São Paulo, o governo estadual tem R$ 80 bilhões reservados para projetos que podem ser executados na modalidade PPP. “As empresas vêm manifestando interesse em alguns projetos, indicando que compreenderam ser mais vantajoso pensar em soluções mais integradas, como construção e gestão, por exemplo”, analisou o coordenador de Planejamento e Avaliação da Secretaria de Economia e Planejamento do Estado de São Paulo, Pedro Pereira Benvenuto.
O coordenador apresentou a carteira de projetos de PPP no Estado e salientou a diversificação dos setores impactados: “Energia, transporte público, saneamento, aeroportos, portos e outros. O valor estimado para esses projetos é de R$ 44,2 bilhões”, revelou.
Como enfatizou a cônsul-geral do Canadá no Brasil, “este é um momento único. Oportunidades não faltam”, concluiu Abina.
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